O Código Basquiat.

Jean Michel Basquiat. Nascido em 22 de dezembro de 1960, morto em 12 de agosto de 1988 aos 27 anos. Teve uma vida efêmera e uma obra tal qual sua vida.

Basquiat está em mim. Acho que posso começar esse texto com essas palavras. Sai de casa no último sábado decidido à vê-lo. A coleção Mugrabi, que está no CCBB São Paulo até 7 de Abril, me deu a oportunidade única de apreciar a obra de uma pessoa que foi exceção dentro da regra: Basquiat. O nome que está na boca e na mente de todo conhecedor de neo arte, colocou na sua obra algo que somente um igual à ele consegue ver.

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A Coleção Mugrabi é um acervo de cerca de 80 obras de Basquiat que está em exposição itinerante no CCBB São Paulo e promete passar por mais 3 estados: Rio De Janeiro, Minas Gerais e Goiás.

Nela nós conseguimos entrar apenas que por um momento na mente de Basquiat. Para mim pessoalmente, coincidência ou não, me despertou um misto de diversos sentimentos. Me senti mesmerizado, contrariado e principalmente o sentimento que está me fazendo escrever esse texto: Intrigado.

Basquiat intriga.

Tive a oportunidade de visitar alguns museus durante a minha vida, entendo que em cada momento que parei para olhar e observar aquelas obras, eu estava num momento especifico da minha vida. Coincidência ou não, acho que Basquiat cruzou a minha vida no momento exato. Estou num momento de transformação, de ressignificação, assim como Basquiat.

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O Código.

Passeando pelos andares e observando suas obras pude perceber várias coisas. Dava pra ver claramente sua raiva, seu rancor, sua indecisão, hesitação, sua depressão e principalmente sua busca por identidade.

O símbolo acima está presente em diversas obras, ora de forma discreta, ora em total evidência como no momento acima. Uma coroa. Em suas colagens, desenhos, sobreposições e enxertos. Basquiat buscava a redenção. A coroa é o graal.

Seus traços são fortes, num primeiro momento parecem descuidados, até desleixados, mas olhando mais de perto você consegue perceber que eles estão lá de forma cuidadosa compondo a imagem. Em alguns momentos, dá pra ver que suas mãos, que ele usa em vários momentos para finalizar ou construir a obra, vão de encontro à coroa. Ele quer a coroa, ele mira a coroa, mas de alguma forma ele sabe que nunca à terá. Nos seus quadros as marcas de suas mãos circulam as coroas, permeiam, mas não as tocam.

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Anjo sem nome. 1981.

Dá pra ficar horas ou até dias divagando sobre o que a coroa significava para Basquiat, mas pra mim a coroa significa a trivialidade, a normalidade, o medíocre. Um significado totalmente inverso ao seu significado comum: A nobreza.

Em diversos momentos ele coroa seus personagens pretos, retratados não de forma caricata, mas da forma como um homem negro se via e ainda se vê na sociedade de hoje: Dismorfo, incompleto, vazio, desmantelado, desalmado, sem identidade.

Basquiat, em suas vernissages, perambulava livremente como um nobre entre toda aquela gente, era admirado, era o foco, era o objeto de desejo, mas ao sair daquele circo todo construído para ele, era só um cara negro que não conseguia pegar um táxi.

Acho que a coroa é uma piada irônica de si mesmo com toda aquela gente branca.

Assim como Basquiat eu não quero ser nobre, eu só quero ser eu. Porém a sensação é que eu nunca vou ter essa oportunidade. É angustiante saber que a minha vida inteira terei que vestir máscaras, me sobrepor, me recortar, me colar, me deformar….para poder me encaixar.

Acho que decifrei uma parte do que era Basquiat. Suas obras não eram o neo expressionismo, assim como gostam de dizer. Suas obras eram um pedido de ajuda. Que vai ecoar na minha mente e de seus iguais.

A minha dor, assim como a de Basquiat, virou fetiche, virou arte.

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Serviço:

A obra de Jean-Michel Basquiat (Nova Iorque, 1960-1988) personifica o caráter de Nova Iorque nos anos 1970 e 1980, uma mistura de empolgação e decadência que criou um paraíso de criatividade. A repetição de letras e de palavras reflete ritmos, sons e a vida na cidade. As figuras poderosas que dominam a cena na obra do artista levam os críticos a classificá-lo como um Neoexpressionista, ao mesmo tempo em que está imerso na cultura pop. Suas pinturas subvertem hierarquias artísticas convencionais ao misturar imagens da cultura erudita e da popular.

Basquiat era um dos poucos afro-americanos num mundo artístico predominantemente branco. Sua obra rapidamente evoluiu de uma evocação das ruas a uma profunda narrativa sobre a experiência de ser negro e as conquistas culturais dos negros.

Horário de 09h às 21h

IngressoEntrada Franca

Curadoria: Pieter Tjabbes.

Visitação com hora agendada

Para evitar filas e agendar a visita à exposição, acesse o site http://www.eventim.com.br ou app Eventim (Android ou IOS). Também é possível emitir seu ingresso na bilheteria física no CCBB São Paulo.

Guia Auditivo

Complemente sua visita utilizando o audioguia, disponível por meio do aplicativo “CCBB” para celulares (Apple Store e Google Play).

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